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Módulo 2: Onde eu estou?

0 de 7 fases concluídas

Índice do módulo: fase 2 de 7
  1. O mapa não é o território Introdução, 18 min
  2. Território, lugar e espaço vivido Capítulo 1, 30 min
  3. Ler o território com a comunidade Capítulo 2, 28 min
  4. Quem já age aqui Capítulo 3, 26 min
  5. Poder, conflito e o que já existe Capítulo 4, 26 min
  6. Caderno de atividades Prática, 40 min
  7. Referências e apostila Para continuar, 12 min

Fase 2 de 7, Capítulo 130 min

Território, lugar e espaço vivido

Território não é o chão. É o chão mais a vida que se faz nele — e essa vida vem organizada em camadas que quase nunca coincidem.

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Milton Santos definiu o espaço como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações. Os objetos são o asfalto, o poste, a casa, o rio canalizado. As ações são o que as pessoas fazem com eles. Separar os dois produz duas caricaturas: a engenharia sem gente e a militância sem chão.

Configuração territorial o conjunto dos objetos naturais e construídos de um lugar, tomados em si mesmos. É o que aparece na foto aérea e no cadastro da prefeitura.

Território usado essa mesma configuração somada ao uso que dela se faz. É o conceito operacional para quem atua na comunidade, porque desloca a pergunta de “o que existe aqui” para “quem faz o quê com o que existe aqui”.

Lugar a porção do território onde a vida cotidiana produz identidade e solidariedade. Para Santos, é no lugar que se produz a resistência possível ao que vem de longe — e por isso o lugar interessa politicamente, não apenas afetivamente.

Henri Lefebvre acrescentou uma chave decisiva ao mostrar que o espaço é produzido socialmente em três registros simultâneos: o espaço concebido pelos técnicos e planejadores, o espaço percebido na prática cotidiana e o espaço vivido, carregado de símbolo e memória. Conflitos urbanos quase sempre são choques entre esses registros. Uma praça requalificada que perdeu a sombra onde os velhos jogavam dominó resolveu o concebido e destruiu o vivido.

Jane Jacobs chegou a conclusão semelhante observando calçadas em Nova York. A segurança de uma rua, argumentou, não vem de muro nem de câmera, mas dos olhos da rua: gente com motivo legítimo para estar ali ao longo do dia inteiro, sustentada por diversidade de usos, quarteirões curtos e comércio no térreo. Intervenções que esvaziam a rua em nome da segurança costumam produzir exatamente o contrário do que prometem.

Para quem atua no território, a consequência prática é uma disciplina de observação. Antes de perguntar o que falta, é preciso levantar o que já acontece: em que horários a praça enche, quem usa a quadra e quem foi expulso dela, por onde as crianças voltam da escola, onde as pessoas param para conversar sem que ninguém tenha planejado aquilo.

Três camadas de um mesmo lugar

Todo território é lido de três maneiras ao mesmo tempo — e elas raramente coincidem. Toque em cada uma.

O território dos mapas e dos planos

É o espaço dos técnicos, das plantas, das leis de zoneamento e dos editais. Existe no papel e nos sistemas. Tem enorme poder — decide onde passa o asfalto — mas quase nunca pergunta a quem vai andar nele.

Verifique sua leitura

O que Milton Santos quer dizer com “território usado”?

A seguir: Ler o território com a comunidade