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Módulo 2: Onde eu estou?

0 de 7 fases concluídas

Índice do módulo: fase 3 de 7
  1. O mapa não é o território Introdução, 18 min
  2. Território, lugar e espaço vivido Capítulo 1, 30 min
  3. Ler o território com a comunidade Capítulo 2, 28 min
  4. Quem já age aqui Capítulo 3, 26 min
  5. Poder, conflito e o que já existe Capítulo 4, 26 min
  6. Caderno de atividades Prática, 40 min
  7. Referências e apostila Para continuar, 12 min

Fase 3 de 7, Capítulo 228 min

Ler o território com a comunidade

Diagnóstico participativo não é ouvir a comunidade sobre um projeto pronto. É deixar que a leitura dela mude o projeto.

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Paulo Freire formulou o princípio que sustenta todo diagnóstico honesto: a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Antes de qualquer conteúdo trazido de fora, existe um saber já constituído sobre o próprio lugar — feito de experiência, e não de bibliografia. Ignorá-lo não é apenas indelicado; é metodologicamente errado, porque descarta a fonte mais confiável disponível.

Daí a investigação temática. Em vez de chegar com um programa, o educador ou organizador levanta com as pessoas os temas geradores — as situações-limite que organizam a visão de mundo daquele grupo. O trabalho não acontece em aula, mas em círculo de cultura: todos falam, ninguém expõe conteúdo pronto e o resultado não é sabido de antemão por quem convocou.

Orlando Fals Borda, sociólogo colombiano, radicalizou a proposta na investigação-ação participativa. A pesquisa e a ação caminham juntas, e o conhecimento produzido pertence a quem foi pesquisado — precisa voltar para a comunidade em formato utilizável, não virar artigo que ela nunca vai ler. Fals Borda chamava de devolução sistemática essa obrigação, e a tratava como questão ética, não como cortesia.

No Brasil, essa tradição chegou pela pesquisa participante, organizada por Carlos Rodrigues Brandão e praticada em movimentos de educação popular desde os anos 1970. O deslocamento é sempre o mesmo: de pesquisar sobre para pesquisar com — e a diferença aparece menos no questionário do que em quem define as perguntas.

Existe, porém, um risco constante de participação decorativa. Reuniões convocadas para validar o que já foi decidido, conselhos sem poder deliberativo, consultas cujo resultado nunca é publicado. Sherry Arnstein deu nome a essa encenação em 1969, ao propor uma escada de oito degraus que mede quanto poder real está sendo transferido — e não quanta gente compareceu.

A régua de Arnstein serve também, e principalmente, para dentro de casa. Vale aplicá-la ao próprio coletivo: em que degrau está a assembleia que nós mesmos convocamos? Quem redige a pauta? Quem tem voto? Um grupo pode denunciar consulta simbólica na prefeitura e reproduzi-la na própria reunião de quinta.

A escada da participação

Sherry Arnstein propôs, em 1969, uma escada de oito degraus para medir quanto poder real a população tem em um processo. A legenda mostra em que faixa cada degrau cai.

A escada é lida de baixo para cima: o primeiro degrau está na base.

  1. Manipulação A comunidade é chamada para endossar o que já foi decidido.
    Não é participação
  2. Terapia Trata-se a insatisfação como problema de atitude, não de estrutura.
    Não é participação
  3. Informação Avisa-se o que vai acontecer, sem canal de retorno.
    Concessão simbólica
  4. Consulta Pergunta-se a opinião, sem compromisso de usá-la.
    Concessão simbólica
  5. Pacificação Alguns moradores entram no conselho, mas sem votos que decidam.
    Concessão simbólica
  6. Parceria O poder de decidir é negociado e repartido entre as partes.
    Poder cidadão
  7. Poder delegado A comunidade tem maioria nas decisões sobre o que lhe diz respeito.
    Poder cidadão
  8. Controle cidadão A própria comunidade gere, define e presta contas do que é seu.
    Poder cidadão
  • Não é participação
  • Concessão simbólica
  • Poder cidadão

Verifique sua leitura

Na escada de Arnstein, o que separa a “concessão simbólica” do “poder cidadão”?

A seguir: Quem já age aqui