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Módulo 4: Como isso continua?

0 de 7 fases concluídas

Índice do módulo: fase 3 de 7
  1. O que acontece depois do entusiasmo Introdução, 18 min
  2. Do desejo ao projeto Capítulo 1, 28 min
  3. Dinheiro sem perder a alma Capítulo 2, 26 min
  4. Governança que não depende de heróis Capítulo 3, 26 min
  5. Avaliar para aprender Capítulo 4, 24 min
  6. Caderno de atividades Prática, 40 min
  7. Referências e conclusão do curso Para continuar, 12 min

Fase 3 de 7, Capítulo 226 min

Dinheiro sem perder a alma

A pergunta não é como conseguir dinheiro. É como conseguir dinheiro sem que ele decida, aos poucos, o que o grupo faz.

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Sustentabilidade financeira raramente vem de uma fonte generosa. Vem de combinação. Recursos próprios gerados pelo coletivo, recursos públicos e recursos privados têm ritmos, exigências e riscos diferentes, e cada um cobre a fragilidade dos outros.

Os recursos próprios são os menos valorizados e os mais estratégicos. Contribuição de associados, rifa, bazar, festa, prestação de serviço, aluguel de espaço ocioso. Dão pouco dinheiro e muita autonomia: é a única receita que ninguém corta por decisão externa. Coletivos que nunca desenvolveram essa capacidade descobrem tarde demais que dependem inteiramente de terceiros para existir.

No campo público, o Brasil tem desde 2014 um marco específico: a Lei 13.019, conhecida como MROSC, que organiza as parcerias entre administração pública e organizações da sociedade civil. Ela prevê chamamento público como regra, define instrumentos como o termo de fomento, o termo de colaboração e o acordo de cooperação, e estabelece regras de prestação de contas. Antes dela, a Lei 9.790/1999 já havia criado a qualificação de OSCIP. Conhecer esse vocabulário não é preciosismo jurídico: é o que permite ler um edital sem depender de intermediário.

Existem ainda fundos específicos que muitos coletivos desconhecem, como os fundos municipais dos direitos da criança e do adolescente e os fundos do idoso, alimentados por destinação de imposto de renda e geridos por conselhos com participação da sociedade civil. São recursos locais, decididos localmente — e frequentemente subutilizados por falta de projetos apresentados.

No campo privado, editais de institutos e fundações, patrocínio empresarial, leis de incentivo e doação de pessoas físicas. O risco a vigiar aqui tem nome: desvio de missão. Ele nunca acontece de uma vez. Acontece por pequenas adaptações sucessivas, cada uma razoável isoladamente, até que o coletivo esteja executando a agenda de outra pessoa com o próprio nome na fachada.

A defesa contra isso é ter a missão escrita antes de precisar dela. Drucker insistia nesse ponto: a missão de uma organização social não é texto decorativo de estatuto, é critério operacional para recusar oportunidades. Um coletivo que nunca recusou nada provavelmente não tem missão — tem disponibilidade.

Sobre prestação de contas, três hábitos simples resolvem a maior parte dos problemas: guardar todo comprovante desde o primeiro dia, separar as contas do coletivo das contas pessoais de quem o dirige, e publicar internamente um resumo financeiro em toda assembleia, mesmo quando ninguém pediu. Transparência praticada em tempo de calmaria é o que protege o grupo quando surge a primeira suspeita.

Três fontes, nenhuma sozinha

Sustentabilidade não é achar um financiador. É não depender de um só. Toque em cada fonte.

Recursos próprios

O que o coletivo gera por si

Contribuição de associados, rifa, bazar, festa, venda de produto ou serviço, aluguel de espaço. É a fonte menos glamourosa, a mais trabalhosa e a única que ninguém pode cortar. Sustenta a autonomia política do grupo.

Recursos públicos

O que vem do Estado

Editais, chamamentos públicos, emendas, fundos setoriais como os fundos da criança e do idoso. No Brasil, as parcerias com a administração pública seguem a Lei 13.019/2014. Exige formalização e prestação de contas rigorosa — e paga tarde.

Recursos privados

O que vem de empresas e fundações

Editais de institutos, patrocínio, doação de pessoas físicas, leis de incentivo. Costuma ser mais rápido e mais exigente quanto a resultados visíveis. O risco a vigiar é o desvio de missão: aos poucos, o projeto vira o que o financiador quer comprar.

Verifique sua leitura

Por que os recursos próprios são estratégicos, mesmo sendo poucos?

A seguir: Governança que não depende de heróis